A fome de prazer sensorial nubla um prazer muito mais elevado. A premência da ação e sede de reações, que serve de fonte de inspiração cotidiano ao pequeno ser que se debate no mundo material, impede-o de entrar naquela beatitude que procura. Os objetos dos sentidos, ou melhor, tudo que é diretamente intuído da realidade concreta, aciona um processo mental de identificação que gera emoções . Podem ser emoções sutis, imperceptíveis, tanto quanto fortes. O pensamento intelectual, assim como qualquer pensamento, é na sua formação um encadeamento de emoções ligadas a estruturas de memória. O som, a visão, as sensações de toque, paladar e todas as outras evocam constantemente processos mentais; isto é impossível de evitar. Por trás de todo esse movimento cerebral há um centro natural, mais antigo, aperceptivo, que concentra a observação sobre o próprio movimento de seu sistema nervoso. Este centro acumula, interpreta, divaga e é reconhecido por si mesmo como sendo o "eu"...