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Mostrando postagens de agosto, 2016

Quem é filósofo?

   Quem é filósofo?    Esta pergunta surgiu numa aula de graduação em filosofia. A discussão que se seguiu não me satisfez. É uma pergunta pertinente. Aos desavisados pode remeter a outra pergunta: o que é  filosofia? Nesse caso recairia no problema de definir de antemão justamente o processo que se almeja alcançar - não quer dizer que filosofia seja um processo. Visto que por este lado não há saída para a questão de quem é filósofo. Atualmente tenho visto explicações puramente contemporâneas, arraigadas da padronização metódica da ciência. Eles dizem que, dentre outras coisas, o filósofo é aquele que propõe um objeto de estudo bem definido. Ou seja, filósofo é aquele que apresentou um novo objeto de estudo no campo da filosofia. Mas esse tipo de argumentação sobre o filósofo não cai muito bem. Lembremo-nos de que a filosofia é a mãe e o pai de todas as estruturas metódicas, tanto da ciência quanto das pseudociências. E é muito mais do que isso. A filosofia t...

O erro e a guerra cultural

   Desde o uso do termo "noumenos" por Kant, inspirado nas mônadas de Leibniz, e que resultou na "vontade de existir" de Schopenhauer, e mais tarde anunciado a marteladas como "vontade de potência" por Nietzsche, ou mesmo antes, muito antes com Platão na sua teoria da "anamnésia", o que estes termos podem simbolizar hoje, nas expressões ideológicas de um populismo arrogante, poderia ser chamado de "livre expressão das ideias". Já que o ser em si mesmo é independente e possui legalmente, nos cânones de uma pretensa legislação mundial, forçosamente o direito a um livre arbítrio, consoante Rousseau que quer obrigar o ser a ser livre, deve-se então dar, por consequência, a este mesmo ser, no mesmo grau, o direito de errar. Se você tem o direito inalienável de se expressar conforme bem queira, tem também o direito, da mesma forma, de errar. O erro não é só permitido como desculpável, em qualquer nível. O fato é que essa política, imposta à...

Maturidade

   Um grande silêncio, um interregno, após a agitação dos afazeres na falsa correria dos compromissos assumidos. Uma tomada de fôlego e um olhar prescrutante ao céu. De novo a consciência desperta de seu sono mundano e ressurge a realidade, como antes, mas com brilho e cheiro de coisa nova. Assim a ordem dos pensamentos se reajusta para competir com a injustiça dos desacordos firmados num caminho deixado, sempre tortuoso, de pedras e cacos. A dureza dos argumentos, enrijecidos pela tufânica ventania da contradição, àqueles que não caíram, e por estes tempos poucos ou nenhum caíram, se afila e toma a forma adunca que nunca antes tiveram. Resta caçar o inimigo, esse que luta em vão, apenas por pão, a pô-lo numa estaca sobre o estalar do fogo e devorá-lo sem fome, só por obrigação. A caça enche a planície, a floresta e mesmo o deserto. Os grandes erros já se petrificarem em enormes monumentos do passado, criam limbo, e já não fazem a menor diferença. Mas os pequenos erros, estes...