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Mostrando postagens de outubro, 2018

Sofrimento perdido

   Daqueles que sofrem, ou seja, todos; os que sofrem mais, por simplesmente não terem como não sofrer continuamente, estes são os escolhidos. Uma coisa é sofrer só por si, outra é sofrer pelos que dependem de você. Com o passar do tempo aqueles que sofrem mais, acabam recebendo seu galardão. Se livram dos sofrimentos menores, que já nem fazem cócegas. E os que sofrem menos terão que agonizar ainda o que aqueles outros já passaram de pior. Alguns sofrem menos tempo, porque o sofrimento vem de uma vez e os leva rápido. Mas os que sofrem sempre, de forma contínua, e por longo tempo, estes são os mais bem-aventurados. Pois do sofrimento contínuo, da dor constante e irremediável, vem um desprendimento do mundo, quanto maior e quanto mais longo o sofrimento. Então tudo é largado, como se os dedos das mãos já não suportassem o peso, e quando a próxima pertubação vem, nem mesmo é agarrada, passa por entre os dedos e cai, some no infinito. Por isso, ai dos que sobejam riquezas ou fel...

O sumo bem

   Se não fosse o sereno raciocínio lógico que emergiu da mente humana, e deu vida àquilo que chamamos de filosofia, o mundo de hoje seria tal qual pintam as religiões: um mar de fantasias. Foi o raciocínio lógico, na sua simbiose com a realidade dos fatos, que permitiu ao homem expulsar os deuses de suas cabeças e colocar no seu lugar algo mais concreto e real. Os mitos então foram recolocados nos seus devidos lugares, átrios da imaginação. É claro que a filosofia não é um instrumento barato, vendido em templos. Exige estudo, dedicação e prática. No entanto não há outro substituto à religião. Nem mesmo é para todas as pessoas, já que exige uma intelectualidade que a maioria cega despreza. Mas isso não faz diferença, já que os homens precisam da filosofia mas a filosofia não precisa deles. A verdade é atemporal e onipresente. Se hoje é deixada de lados pelos humanos, mesmo assim não deixa de existir. Aristóteles dizia que a finalidade da natureza é o sumo bem. Quem consegue a...

O senhor supremo

   O inevitável sofrimento pelo qual devemos passar não é removido nem pela fé nem pelo esforço. Aqueles que sabem disse e se conformam são mais bem aventurados do que os escandalosos. Quando o "eu" percebe a irremediável miséria do corpo, liberta-se de si mesmo, e vive desapegado, serenamente junto ao senhor supremo.

Recolhimento

   O sofrimento interior vem em lufadas intermitentes. Escolho ações para, na sua execução, o sofrimento amenizar sua fúria. Percebo que muitas vezes o sofrimento está ligado ao passado ou ao futuro. O jeito então é me recolher no presente.

Silêncio

    O silêncio é o maior prêmio que o homem pode alcançar. Tudo repousa no silêncio. A ação que parte do silêncio é uma ação correta. A mente abarca em sua jornada uma tão vasta complexidade que somente o silêncio pode domar. Feliz o homem que se regozija no silêncio, sua busca findou. Sobram tarefas a realizar, por todos os lados e em todas as direções. Se forem realizadas na contemplação e no silêncio, serão dádivas celestes.

Fragmento

   O tronco principal que atua na minha vida como motivação e finalidade se chama liberdade. A felicidade é o estado natural do homem livre. E o que prende são as consequências das vontades e ações dos homens ignorantes. A maioria dos homens sempre estará do lado do aprisionamento de seus semelhantes.

Coleção de desenhos de Johan

Coleção de desenhos de Yago

Considerações sobre o ser-humano

   A fortuna de se estar vivo é grande, mas é maior a riqueza de quem voa acima das ilusões de seu ego e consegue ver com amplitude de consciência. As convulsões do minúsculo "eu" que se acha grande, se debatendo no mar revolto que ele mesmo cria, buscando uma tábua de salvação além de si mesmo, são violentas mas de nada adiantam. O ser permanece circunscrito a si mesmo. Esse é o preço de existir como indivíduo. Nada escapa de si mesmo. Por isso alguns proferem que o "eu" não importa, que é melhor viver da pura relação material entre os corpos físicos, incluídos aí as relações de comunicação. Concluem que o mais importante são os movimentos exteriores, estes sim palpáveis, duráveis e sólidos o suficiente para merecerem atenção. É uma dedução evidente, já que o "eu" etéreo é tão fugaz, confuso e tão difícil de entender. A estes é melhor então deixar o "eu" por conta de recomendações religiosas e hábitos mentais. No entanto o "eu" e o cor...