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Mostrando postagens de outubro, 2013

Adestramento

A felicidade constante precisa ser buscada. O pensamento nas suas ininterruptas lucubrações pode tanto favorecer um estado de beatitude quanto de sofrimento. As vicissitudes corporais estão fora de nosso controle, portanto não há meios de evitar o aborrecimento físico. Deste modo, quanto à vida corporal, a aceitação da dor e dos padecimentos físicos é pacífica, já que não há realmente felicidade externa constante. No entanto a vida humana caracteriza-se principalmente pela existência da razão e do pensamento. Este por sua vez é o agente tanto das maiores agruras quanto dos maiores êxtases. Ao meu ver ele é a chave da felicidade suprema e constante. Da mesma forma que o corpo não é uma máquina autônoma, também a mente não o é. Ambos agem segundo adestramentos, mas o próprio adestramento, pode, imagino, ser escolhido.

Pensar

Existe uma corrente de pensamento que sugere que o próprio pensamento é uma  coisa ruim e portanto deveria ser evitado. Apenas agir, sem pensar. No dia a dia vemos que uma grande parte da população adere incondicionalmente a uma variante deste preceito. O pensamento é encarado apenas como uma ferramenta a ser usada com fins práticos, e o bom da vida é simplesmente não pensar em nada. Prefere-se abafar qualquer traço de pensamento, utilizando-se, por exemplo, de ruídos intermitentes como a música. O pensamento refinado, para tal, necessita de silêncio. Então basta ao acordar mergulhar a mente rapidamente na música, para que distraída, não pense, sendo arrastada na superfície de suas possibilidades, embalada pelo ritmo. O pensamento é algo realmente desprezado. Tido como vilão, causador de preocupações e aflições. Melhor então é não pensar. De alguma forma esse temor pelo pensamento é justificável. O pensamento possui uma essência livre. O pensamento identifica-se com o próprio ser...

Trabalho

Trabalhar. Enquanto o trabalho é apenas um passatempo, tudo bem. De qualquer forma o tempo vai passar mesmo, e você terá que fazer alguma coisa nesse tempo. Ficar em casa é chato. Mesmo quando tenho chocolate e sorvete na geladeira, ficar moribundo, perambulando pela casa, é chato. Os afazeres domésticos são mais repetitivos que o do trabalho. Não é uma boa ficar em casa, definitivamente não é. O trabalho começa a ficar difícil, às vezes insuportável, somente quando seu objetivo não é passar o tempo. Quando o trabalho é observado sob o prisma de uma obrigação e com objetivos de lucro, então ocorre uma transformação mental, para pior. Aquilo que deveria ser também um mero passatempo, o trabalho, ele vira outra coisa. Uma mistura de insatisfação, temor e humilhação emerge das profundezas do inferno. Então é correria e aflição. Tudo é passatempo. Trabalho, lazer ou simplesmente viver, tudo a mesmíssima coisa. Nunca, em nenhum momento, você deixa de estar lá. Assistindo tudo de camarot...

O fio da meada

Nestes dias de muito sossego e paz, sozinho no meu lar, muitas são as dúvidas que me assolam. Penso na vida, tentando encontrar segurança pra mim e meus filhos. Mas a jornada tem sido tão longa e cheia de reviravoltas, que sempre perco o fio da meada. E já nem sei por onde ir. Tenho buscado princípios que possam nortear minha passageira vida. Em alguns momentos acredito ter encontrado uma forma boa, digna e segura de viver. Mas logo recaio de novo em estados de desânimo, perante a irrefutável certeza da morte. Tudo então parece perder o sentido. E uma névoa sinistra paira sobre minha cabeça. O que fazer dessa vida? Preciso arranjar uma força pra continuar, pra sentir que vale a pena essa luta diária. A clareza do agora, essa paz e quase completo silêncio, que a sorte da vida me permitiu viver nestes dias, preciso aproveitá-la bem. Disso eu sei. Pois tudo na vida é fugaz e pode terminar a qualquer momento. Foco nos filhos, espero encontrar nessa direção o que de melhor posso fazer...

Configuração mental positiva

Manhã fria. Yago levantou às 08:00. Levantei logo após e começamos o dia com tranquilidade. Depois dos afazeres básicos matinais, sento-me a escrever enquanto Yago come pão. Seria tedioso descrever todos os pequenos fatos que ocorreram numa simples hora da manhã. Registro então que estou em ótima compania e a paz reina absoluta. Temos muitas tarefas hoje. O sol finalmente saiu depois de dois dias encobertos. Mas o resumo principal é tentar resolver o problema do modem queimado, pregar o varal interno coberto, lavar e estender roupa e limpar a casa. Preciso também estudar e aperfeiçoar o sistema disciplinar.  Se o comércio estiver aberto posso também realizar outras tarefas. Mas a questão principal é como manter a configuração mental positiva. Ainda à mercê de desvarios negativos, vejo-me perigosamente acossado pela depressão. Por isso tenho que me manter alerta. Não é correto que a mente deixe seu estado natural de bem-estar para entrar em ciclos de ansiedade ou de angústia. Ac...

Um plenário

09/06/13 - 20:29 - Domingo Gostaria, meus amigos, de me portar como se estivesse num plenário, onde se reunissem pessoas interessadas em debater sobre temas importantes, com o intuito de desfrutar momentos de paz e sabedoria. Este lugar, tenho que imaginá-lo, pois não existe de fato. Os diversos tipos de emoções suscitadas por reuniões de tal tipo, quando reais, obscurecem seu motivo e desvirtuam seu sentido, acabando por gerar conflitos ou tolices. Então o único meio possível de realizar tal debate, creio, é através de uma simulação mental. As ideias são fugidias e capturá-las em pleno voo exige uma atenção peculiar. Não é que sejam velozes ou intangíveis, é que mudam constantemente. E mais que isso, o vocabulário muita das vezes não reflete exatamente seu sentido. Isto tudo causa uma espécie de enjoo. Mas por outro lado há uma imensa vontade de trazê-las cativas, aqui no papel, por necessidade de se expressar, como se a comunicação delas fosse caso de vida ou morte. As melhor...

Crianças

01/07/13 - 07:50 Acordei morrendo de saudades de mim mesmo aos 10 anos de idade. E essa saudade misturou-se com a saudade do Eric, aquele menino lindo e inteligente. A pureza da idade, com sua inocência verdadeira, é algo que se transmuta, no coração de um pai, em verdadeiro amor. Minhas crianças são a expressão viva do amor. A alegria de viver está nelas, nas crianças. Existe algo mais sublime do que as crianças? Toda a imaculada fantasia, toda força realmente positiva, esperança, tudo que é digno de se manter encontra-se totalmente nas crianças. E daí eu concluo que a vida do adulto deve ser voltada para propiciar a maior liberdade possível às crianças. Liberdade no sentido de oferecer todos os meios factíveis de realização das alegrias "delas". As crianças são o único caminho viável para uma mudança no mundo.