Na era da comunicação em que vivemos, do "selfie", do eu sou, onde cada um tem aquela chance de ouro de aparecer, de ser, de existir para vários outros eus, como nunca antes possível, a consciência, enganadora profícua da realidade concreta, dobra seu manto numa espessura fabulosa. A realidade concreta, hoje, é tão mais escondida quanto jamais foi. A pretensa sabedoria, afinal a informação está por todos os cantos, avulta-se como sapiente de tudo, detentora da mais alta clarividência em cada pequeno e lastimável eu, por mais tísico seja sua inteligência. Agora a sapiência é obtida por osmose, até que enfim, bradam as almas preguiçosas. Sei tudo e estou em contato direto com os mais doutos em qualquer assunto. Oh internet internet, quanto mais lhos dá mais lhes tira! A vida corre atribulada em nada fazeres. Cheio de vamos que vamos e é pra ontem. Cada um na sua conexão, entulhada, empilhada, entuchada de tudo que há. A política comendo solta, os larápios dando ...