Na era da comunicação em que vivemos, do "selfie", do eu sou, onde cada um tem aquela chance de ouro de aparecer, de ser, de existir para vários outros eus, como nunca antes possível, a consciência, enganadora profícua da realidade concreta, dobra seu manto numa espessura fabulosa. A realidade concreta, hoje, é tão mais escondida quanto jamais foi. A pretensa sabedoria, afinal a informação está por todos os cantos, avulta-se como sapiente de tudo, detentora da mais alta clarividência em cada pequeno e lastimável eu, por mais tísico seja sua inteligência. Agora a sapiência é obtida por osmose, até que enfim, bradam as almas preguiçosas. Sei tudo e estou em contato direto com os mais doutos em qualquer assunto. Oh internet internet, quanto mais lhos dá mais lhes tira!
A vida corre atribulada em nada fazeres. Cheio de vamos que vamos e é pra ontem. Cada um na sua conexão, entulhada, empilhada, entuchada de tudo que há. A política comendo solta, os larápios dando surra em cachorro morto e antenados no próximo: quem será?
Por falar nisso, de novo o país, essa linha divisória no mapa, cheia de capitais, vai me obrigar a visitar uma salinha, em tal dia, munido de papel carimbado e rubricado, para escolher um dos que eu não conheço, que fazem parte deste circo armado contra mim, para tirar a minha liberdade sob ameaça de me aplicar muitas penas. Eu vou. Como não posso de faltar, eu vou. Afinal, não é isso que eles chamam de democracia. Que eu por pequeno já sabia que era mesmo do demo. Na Terra sempre há de ter isso.
Trabalho todo dia! Medonho? O lugar pelo menos é limpo. O trabalho consiste em fingir que está tudo bem. Pelo menos fico lá no meio do mato, que de carantonha de infeliz já estou farto. Lá só tem uns poucos e isto já basta pra fazer o teatro de trabalhar. De sorte que não me quiseram como chefe, só hoje vejo a sorte que tive de não ser do gosto dos chefe dos chefe. Que se eles gostam de mim ia querer me lascar todo dia. Pra isso que serve chefe, pra se lascar. Eu não. Eu só faço o que me pedem, não mando nada e tem dia parece que não existo. Assim que é bão. O serviço é tão simples pra mim, que na maioria das vezes quando pedem, já está pronto faz tempo. Mas tem que fazer de conta que é difícil, que é suado! Por que senão vão querer mudar tudo, a finalidade é uma só, que todos sejam infelizes enquanto trabalham. Enfim, é uma mentirada danada, um teatro só. Nem que fosse pra carregar pedra, que há? Dá tudo na mesma. Serviço braçal é mais fácil ainda. O esforço é só contra o tédio.
Mas quando é pra assuntar, ichi, hoje em dia só tem gênios! Palpite pra todo lado, apesar de que a assunção geral é sobre dois ou três temas. Mas isso ninguém nota. A repetição de assunto é tanta que dá vontade de cagar cinco vezes ao dia. Ou é futebol ou política, desgraça ou outra futilidade. No geral é só isso. Depois ficam dizendo que sou calado. Falar o quê? Repetir opiniões? Ha não, dá licença, vou ali cagar.
Falar muito e dar palpite em tudo é tido em boa conta. O pessoal não gosta de ouvir os pássaros cantando. E olha que cantam o dia todo. É só ficar calado que dá pra escutar vários deles. Atesto que a prosa dos pássaros é muito mais interessante. De forma que o silêncio parece ser a melhor resposta pra tudo. Enquanto o mundo vai atolando de sabichões, cada dia eu fico mais burro.
A vida corre atribulada em nada fazeres. Cheio de vamos que vamos e é pra ontem. Cada um na sua conexão, entulhada, empilhada, entuchada de tudo que há. A política comendo solta, os larápios dando surra em cachorro morto e antenados no próximo: quem será?
Por falar nisso, de novo o país, essa linha divisória no mapa, cheia de capitais, vai me obrigar a visitar uma salinha, em tal dia, munido de papel carimbado e rubricado, para escolher um dos que eu não conheço, que fazem parte deste circo armado contra mim, para tirar a minha liberdade sob ameaça de me aplicar muitas penas. Eu vou. Como não posso de faltar, eu vou. Afinal, não é isso que eles chamam de democracia. Que eu por pequeno já sabia que era mesmo do demo. Na Terra sempre há de ter isso.
Trabalho todo dia! Medonho? O lugar pelo menos é limpo. O trabalho consiste em fingir que está tudo bem. Pelo menos fico lá no meio do mato, que de carantonha de infeliz já estou farto. Lá só tem uns poucos e isto já basta pra fazer o teatro de trabalhar. De sorte que não me quiseram como chefe, só hoje vejo a sorte que tive de não ser do gosto dos chefe dos chefe. Que se eles gostam de mim ia querer me lascar todo dia. Pra isso que serve chefe, pra se lascar. Eu não. Eu só faço o que me pedem, não mando nada e tem dia parece que não existo. Assim que é bão. O serviço é tão simples pra mim, que na maioria das vezes quando pedem, já está pronto faz tempo. Mas tem que fazer de conta que é difícil, que é suado! Por que senão vão querer mudar tudo, a finalidade é uma só, que todos sejam infelizes enquanto trabalham. Enfim, é uma mentirada danada, um teatro só. Nem que fosse pra carregar pedra, que há? Dá tudo na mesma. Serviço braçal é mais fácil ainda. O esforço é só contra o tédio.
Mas quando é pra assuntar, ichi, hoje em dia só tem gênios! Palpite pra todo lado, apesar de que a assunção geral é sobre dois ou três temas. Mas isso ninguém nota. A repetição de assunto é tanta que dá vontade de cagar cinco vezes ao dia. Ou é futebol ou política, desgraça ou outra futilidade. No geral é só isso. Depois ficam dizendo que sou calado. Falar o quê? Repetir opiniões? Ha não, dá licença, vou ali cagar.
Falar muito e dar palpite em tudo é tido em boa conta. O pessoal não gosta de ouvir os pássaros cantando. E olha que cantam o dia todo. É só ficar calado que dá pra escutar vários deles. Atesto que a prosa dos pássaros é muito mais interessante. De forma que o silêncio parece ser a melhor resposta pra tudo. Enquanto o mundo vai atolando de sabichões, cada dia eu fico mais burro.
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