Um filósofo não é aquele que apaixonadamente se dedica à filosofia, e sim aquele que não tendo mais o que fazer, mas possuindo a habilidade necessária, recorre à filosofia para passar o tempo. Ora, depois de estar adestrado o suficiente a ponto de despertar o interesse de outros, que também não tem mais o que fazer, torna-se por fim um consagrado filósofo. Filosofia portanto não é algo que se ensina, pois ninguém consegue de per si não ter o que fazer, que é no fundo uma situação do destino individual e intransferível. Poderíamos supor que o não ter o que fazer subjaz a uma condição financeira ou outra qualquer, mas não é verdade. Muitas vezes quem mais dinheiro tem são os mais cheios do que fazer. Não ter o que fazer está ligado a um desprendimento do lugar comum. Uma inalterada forma de desprezar as urgências presentes conforme descobre-as como falsas urgências. Nem todos são aptos a perceber a inutilidade de todo esforço. Filosofia, em essência, é u...