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Mostrando postagens de abril, 2017

Tapa na cara

A imaginação dribla a realidade, amortecendo o impacto de grandes revelações. Ao profundo tédio existencial impõe-se uma película de imaginação que transforma o fato bruto em algo mais significativo. Essa nova realidade encapada por esta película psicológica lapida uma representação menos crua, deixando um pouco mais leve o peso da existência. O fato é muito simples, vou morrer. É muito duro levantar o dia encarando somente a visão material. Tem-se que colorir os fatos, torná-los mais palatável ao café da manhã, e segurar a beleza até o final do dia, mesmo sabendo que a verdade final é simples.

O burro

Há muitos anos que estudo o principal problema do ser humano: a burrice. A burrice não é algo necessariamente maligno, apesar de ser responsável pelo atraso do indivíduo. A burrice é uma preguiça de pensar. A pessoa logo na infância adquire um comportamento na vida passando sempre ao largo de toda atividade que necessite pensar. Uma paixão pelas coisas do mundo que as impede de se interessar por sutilezas. O enlevo do pensamento, por sua vez, é justamente a experiência transcendente a qual o burro sente repulsa. O burro só conversa de coisas do mundo. Seus pensamentos giram em torno de coisas, pessoas e o seus relacionamentos. Seus princípios são baseados na tradição. O burro não consegue raciocinar sobre seus próprios princípios, afinal de contas dá preguiça. Muitas vezes são bons contadores de estórias, que exigem apenas a memória, sem complexidades e raciocínio. O raciocínio é uma cadeia de lembranças que se ligam através de regras. O burro lembra apena...

A Organização

   A aleatoriedade intrínseca da mente, que ora tende a uma direção ora à outra, repudia a sistematização das ações do corpo. Visto que os desejos mudam constantemente, é difícil manter uma disciplina pré-programada por livre e espontânea vontade. Por isso os homens gostam de ser governados. A coação física os mantém numa direção única. Assim descansam da árdua tarefa de regularem a si mesmos.     O hábito faz o monge. O desejo de liberdade talvez seja o mais vil dos desejos. Metade da realidade é subjetiva, existe apenas na interpretação de quem vê. Mas a outra metade é objetiva e não depende do sujeito. Desejo de liberdade é querer ultrapassar o limite da sua subjetividade. O mundo não é seu, o mundo não é de ninguém. A ansiedade de colocar sua íntima visão do mundo no mundo objetivo, como vontade de existir, ou vontade de potência, é um danoso engano. O sonho ou esperança de ser alguém no mundo é uma presunção autoritária. Esse imperativo tão comum na ment...