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Mostrando postagens de agosto, 2014

Escultor de móveis de madeira

Nos tempos que andava pelas estradas da vida, naquela pequena cidade de Pirinópolis - cidadezinha sem muita importância - onde teci coragem de residir por uns tempos, lá tive a oportunidade de viver mil liberdades que só agora consigo ver sua importância. Naquela pacata cidadezinha acabei por me enturmar com artesãos de toda sorte, tinha o Maneco que criava mini castelos de pedra viva, Marcílio que fez bustos de governadores em bronze só pra ajuntar dinheiro e ir pra europa fazer-se de estátua viva. Tinha outro que esqueci o nome que me mostrou, na casa de quem a comprou, a mais linda escultura em madeira que já vi - de Krishna num barco de pesca. Tinha outro com o qual fui até pra Goiânia com ele, pra ajudá-lo nos seus magos de durepoxi - mas o que ele fazia de melhor eram as mandalas de arame, que não me mostrou como fazer. Tinha o aposentado do trailler, que viajava com a mulher, e fazia uma mandala também, mas de papel grosso - que também não quis me ensinar a fazer. Tinha o dono d...

Boba esperança

Meus filhos dormem, nessa manhã fria, enquanto procuro rastros de esperanças. Acordo religiosamente, todo santo dia, nessa minha sina, às 04:30 da matina. Existe um buraco negro no meu peito. Quando desperto, nessa hora fatídica, ele suga meu alento e declara: a vida é seu pesadelo. Nesses momentos cruéis, onde lembranças são trazidas aos montes, de tudo que machuca por dentro, a vida reclama seu direito a carrasca. Se ao menos uma esperança não fosse engolida por tanta desgraça. Mas não, tenho que saltar da cama atrás de alguma mentirosa esperança. Inventar se for preciso, alguma, mesmo boba, pra esquecer o que a vida, ao me acordar, revela de improviso.