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Olimpíadas dos índios - ou circo de macacos

   Já de manhã leio as notícias na internet e logo após, enquanto saboreio um café feito a contragosto por uma cantineira rabugenta, assisto a louvação dos "jogos mundiais indígenas". Bebo rápido meu café mas não sem antes ouvir um interlocutor dizer com fingido orgulho que 24 "países" estão participando dos jogos. É difícil não sentir náuseas perante afirmação tão esdrúxula. Que diabos querem dizer com "países"? Acredito que seja aquilo que ontem chamavam de "nações indígenas", agora erigidas à categoria de "países". É assim que vemos passivamente, através da desconstrução linguística, o roubo de milhares de hectares de terras, à conta de um vitimismo imbecil, sem que ninguém faça nada. E os idiotas que confundem história com lorota, e que creem que a doação de terras aos índios é uma ação recompensatória por antanhos danos aos povos indígenas pelo povo branco colonizador, não se dá conta da realidade. Não se dão conta, devido à doutrinação massiva da propaganda vitimista, que tudo isso não passa de uma pantomina de quinta. Me refiro àquelas pessoas que se acham doutas no assunto, os simples telespectadores nada sabem, são apenas navegantes do entretenimento macabro do cinismo televisivo.
   Não há nada mais ridículo que apresentar como espetáculo, modificados para caber dentro da apresentação calculada, rituais que só tem sentido real dentro de um contexto vivido pessoalmente. Quem está pagando o show? Qual a prerrogativa? Sinceramente, eu preferiria ver macacos andando de bicicleta.
   A vida continua, estou aqui com calhamaços de documentos para digitar. Ainda bem, é uma distração mais aprazível e menos indigesta.
 
 

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