A fortuna de se estar vivo é grande, mas é maior a riqueza de quem voa acima das ilusões de seu ego e consegue ver com amplitude de consciência. As convulsões do minúsculo "eu" que se acha grande, se debatendo no mar revolto que ele mesmo cria, buscando uma tábua de salvação além de si mesmo, são violentas mas de nada adiantam. O ser permanece circunscrito a si mesmo. Esse é o preço de existir como indivíduo. Nada escapa de si mesmo. Por isso alguns proferem que o "eu" não importa, que é melhor viver da pura relação material entre os corpos físicos, incluídos aí as relações de comunicação. Concluem que o mais importante são os movimentos exteriores, estes sim palpáveis, duráveis e sólidos o suficiente para merecerem atenção. É uma dedução evidente, já que o "eu" etéreo é tão fugaz, confuso e tão difícil de entender. A estes é melhor então deixar o "eu" por conta de recomendações religiosas e hábitos mentais. No entanto o "eu" e o corpo são uma única e mesma coisa, e a parte externa nada mais é do que reflexo da interna e vice-versa. O engano em se comprometer com a aparência do corpo e das coisas exteriores, como se fossem a chave da felicidade, é o mesmo engano em achar que a condição interna por si só também conseguirá o sucesso ou a felicidade. Um animal por exemplo, vive para o externo o tempo todo, já que sua identidade é praticamente nula. Para ele isto basta. Para o homem não é suficiente, pelo menos para os homens que são mais ou um pouco mais do que animais.
A responsabilidade em ser um real ser humano é de cada um. E a realização deste feito grandioso é a única tarefa digna de atenção. A respeito dessa realização, do sucesso e felicidade, um homem rico e poderoso jamais será diferente de um pobre e fraco. Todos terão a mesma dificuldade de superar a dicotomia do seu ser, alinhando seu interior com seu exterior. Para então ser capaz de encontrar-se numa condição acima do simples animal. Isso exige muita atenção, exige muito trabalho durante toda a vida. E aquele que acha que um grande número de amigos e conhecidos, muita conversa fiada, uniões, casamentos ou qualquer tipo de apoio de outrem lhe suavizara seu caminho, ou mesmo lhe mostrará um caminho, estão enganados; a tarefa é só sua e de mais ninguém. Tampouco as ideologias, filosofias ou religiões lhe ajudarão. Você nasceu sozinho, vai viver sozinho, terá que descobrir tudo isso sozinho e por fim morrerá sozinho. Se falhar terá duas mortes. A primeira por não ter se realizado completamente como ser humano, ficando entre o animal e o humano, nas brumas da violência e indignação; e a segunda como símbolo da não consagração, de um ser que não foi aquilo que a natureza lhe dotou de poder ser. Um homem não realizado terá que nascer de novo, seu sofrimento foi em vão. Não alcançando a realização completa de seu ser, na verdade, é ser um não-ser. E sendo assim qualquer outro que nascerá poderá ser o anterior que não se realizou, pois aquele não tinha sido realmente. Mas não se engane, o outro que deverá vir terá em comum com você somente a dor e o sofrimento, o resto de você será apagado para sempre da existência.
A responsabilidade em ser um real ser humano é de cada um. E a realização deste feito grandioso é a única tarefa digna de atenção. A respeito dessa realização, do sucesso e felicidade, um homem rico e poderoso jamais será diferente de um pobre e fraco. Todos terão a mesma dificuldade de superar a dicotomia do seu ser, alinhando seu interior com seu exterior. Para então ser capaz de encontrar-se numa condição acima do simples animal. Isso exige muita atenção, exige muito trabalho durante toda a vida. E aquele que acha que um grande número de amigos e conhecidos, muita conversa fiada, uniões, casamentos ou qualquer tipo de apoio de outrem lhe suavizara seu caminho, ou mesmo lhe mostrará um caminho, estão enganados; a tarefa é só sua e de mais ninguém. Tampouco as ideologias, filosofias ou religiões lhe ajudarão. Você nasceu sozinho, vai viver sozinho, terá que descobrir tudo isso sozinho e por fim morrerá sozinho. Se falhar terá duas mortes. A primeira por não ter se realizado completamente como ser humano, ficando entre o animal e o humano, nas brumas da violência e indignação; e a segunda como símbolo da não consagração, de um ser que não foi aquilo que a natureza lhe dotou de poder ser. Um homem não realizado terá que nascer de novo, seu sofrimento foi em vão. Não alcançando a realização completa de seu ser, na verdade, é ser um não-ser. E sendo assim qualquer outro que nascerá poderá ser o anterior que não se realizou, pois aquele não tinha sido realmente. Mas não se engane, o outro que deverá vir terá em comum com você somente a dor e o sofrimento, o resto de você será apagado para sempre da existência.
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