O ego tenta subsistir a todo custo, iludindo-se e buscando constantemente sua sobrevida. A esperança sempre ressurge; nublando a realidade, dando-lhe nova coloração. Não dura muito e as cores brilhantes da esperança se esmaecem, retornando à fria realidade - aos olhos do ego - seu tom neutro.
Algumas vezes o ego sai vencedor na sua esperançosa corrida. Aqui uma sorte, ali a habilidade necessária e adiante várias circunstâncias favoráveis sobrepujam momentaneamente o infortúnio da esperança não realizada, e a recompensa é alcançada. Dependendo da sequência de ensejos dirimidos, que o ego toma como se fosse resultado de sua ação, ele cresce. Assim inflado habilita-se a fomentar mais esperanças. Mais dia menos dia a sorte acaba. A realidade se impõe novamente, com todo seu peso. O ego reage desesperado, implanta nova esperança. Assim o ciclo se repete.
A maior esperança, a mais cara e protegida, é a esperança de que a vida do corpo está sob o controle do ego. Mesmo a esperança de que somente parte da vida esteja sob o controle do ego já é um grande alento - para o ego. Mas o ego, além de ser um indigente, ora errante, ora presunçoso, continua perambulando para lugar nenhum, apoiando-se em paredes para não cair. Sua empáfia de achar-se dono de si e do destino de seu corpo parece mais um equilibrista bêbado que tombo após tombo teima em subir na corda bamba.
Normalmente a realidade é reduzida a um punhado de considerações que o ego carrega consigo. Essas considerações norteiam sua direção e anima suas vontades. É um reducionismo infantil, pois a realidade é muito complexa para caber nas suas ambições racionais. Mas o ego insiste na sua redução do mundo. Sua estreita visão da realidade, por mais genial que seja seu aparato mental, continua sendo, como não poderia deixar de ser, um minúsculo ponto de vista. O limite físico de suas capacidades cerebrais é um fato corroborado por todas as evidências possíveis e inimagináveis. Mesmo assim ele se acha acima de sua insignificância. Que um ego possa ser mais poderoso, articulado ou engenhoso do que outro, isso é claro. No entanto sua limitação é óbvia, como também óbvia é de que sua ilusão de existência é apenas um ponto de vista infinitamente pequeno diante da incomensurável amplitude da realidade. O ego quer por que quer estar acima da matéria. Quer sobrepujar todas as evidências de que ele é fruto da matéria e que sua existência é um sopro de si mesmo. Não, ele quer por que quer estar acima e além da matéria. Tudo aponta para o fato de que sua existência - do ego - é apenas o resultado do cérebro. Mas não, ele teima, e diz que é imortal, e que existirá mesmo sem a matéria. A única coisa que ele conhece de verdade é a matéria e suas inferências. Mas ele teima em se dizer conhecedor daquilo que está acima da matéria. Sua ilogicidade o leva a um paradoxo que o diminui ao invés de aumentá-lo - conforme gostaria. Sua insensatez é maior do que simplesmente crer em bobagens, ele crê que ele mesmo existe como ser material. O aparato cerebral que o habilita a conhecer a realidade material o confunde. Ele se acha um ser dentro do ser verdadeiro, que é o corpo, e que esse ser dentro do ser também possa ser existente como as coisas que ele reconhece na realidade. É um erro brutal, pois aquilo que reconhece a realidade é um aparato mental. O aparato mental existe mas o resultado do aparato mental é um fluxo neurológico de sensações físico-químicas e não um ente existente. O que tem existência num rio é seu leito, suas águas e tudo que o compõe; mas a força que o rio gera é apenas potencial que pode ser aproveitado para isto ou aquilo, esta força não existe até que seja aproveitada. O mesmo é o ego, a aplicação do pensamento poderá gerar ações ou mais pensamentos, mas esta aplicação não existe enquanto não ocorre, nem antes nem depois. A ilusão da continuidade de um ego dentro do corpo é apenas um efeito. Isso não implica diretamente no hipotético determinismo total. A complexidade da realidade é tamanha que é impossível saber se a realidade é determinística ou se há espaço para o livre arbítrio do ego. O próprio ego, sendo parte da realidade total é imponderável, ilimitado no seu direcionamento mas materialmente inexistente.
Algumas vezes o ego sai vencedor na sua esperançosa corrida. Aqui uma sorte, ali a habilidade necessária e adiante várias circunstâncias favoráveis sobrepujam momentaneamente o infortúnio da esperança não realizada, e a recompensa é alcançada. Dependendo da sequência de ensejos dirimidos, que o ego toma como se fosse resultado de sua ação, ele cresce. Assim inflado habilita-se a fomentar mais esperanças. Mais dia menos dia a sorte acaba. A realidade se impõe novamente, com todo seu peso. O ego reage desesperado, implanta nova esperança. Assim o ciclo se repete.
A maior esperança, a mais cara e protegida, é a esperança de que a vida do corpo está sob o controle do ego. Mesmo a esperança de que somente parte da vida esteja sob o controle do ego já é um grande alento - para o ego. Mas o ego, além de ser um indigente, ora errante, ora presunçoso, continua perambulando para lugar nenhum, apoiando-se em paredes para não cair. Sua empáfia de achar-se dono de si e do destino de seu corpo parece mais um equilibrista bêbado que tombo após tombo teima em subir na corda bamba.
Normalmente a realidade é reduzida a um punhado de considerações que o ego carrega consigo. Essas considerações norteiam sua direção e anima suas vontades. É um reducionismo infantil, pois a realidade é muito complexa para caber nas suas ambições racionais. Mas o ego insiste na sua redução do mundo. Sua estreita visão da realidade, por mais genial que seja seu aparato mental, continua sendo, como não poderia deixar de ser, um minúsculo ponto de vista. O limite físico de suas capacidades cerebrais é um fato corroborado por todas as evidências possíveis e inimagináveis. Mesmo assim ele se acha acima de sua insignificância. Que um ego possa ser mais poderoso, articulado ou engenhoso do que outro, isso é claro. No entanto sua limitação é óbvia, como também óbvia é de que sua ilusão de existência é apenas um ponto de vista infinitamente pequeno diante da incomensurável amplitude da realidade. O ego quer por que quer estar acima da matéria. Quer sobrepujar todas as evidências de que ele é fruto da matéria e que sua existência é um sopro de si mesmo. Não, ele quer por que quer estar acima e além da matéria. Tudo aponta para o fato de que sua existência - do ego - é apenas o resultado do cérebro. Mas não, ele teima, e diz que é imortal, e que existirá mesmo sem a matéria. A única coisa que ele conhece de verdade é a matéria e suas inferências. Mas ele teima em se dizer conhecedor daquilo que está acima da matéria. Sua ilogicidade o leva a um paradoxo que o diminui ao invés de aumentá-lo - conforme gostaria. Sua insensatez é maior do que simplesmente crer em bobagens, ele crê que ele mesmo existe como ser material. O aparato cerebral que o habilita a conhecer a realidade material o confunde. Ele se acha um ser dentro do ser verdadeiro, que é o corpo, e que esse ser dentro do ser também possa ser existente como as coisas que ele reconhece na realidade. É um erro brutal, pois aquilo que reconhece a realidade é um aparato mental. O aparato mental existe mas o resultado do aparato mental é um fluxo neurológico de sensações físico-químicas e não um ente existente. O que tem existência num rio é seu leito, suas águas e tudo que o compõe; mas a força que o rio gera é apenas potencial que pode ser aproveitado para isto ou aquilo, esta força não existe até que seja aproveitada. O mesmo é o ego, a aplicação do pensamento poderá gerar ações ou mais pensamentos, mas esta aplicação não existe enquanto não ocorre, nem antes nem depois. A ilusão da continuidade de um ego dentro do corpo é apenas um efeito. Isso não implica diretamente no hipotético determinismo total. A complexidade da realidade é tamanha que é impossível saber se a realidade é determinística ou se há espaço para o livre arbítrio do ego. O próprio ego, sendo parte da realidade total é imponderável, ilimitado no seu direcionamento mas materialmente inexistente.
A morte do ego talvez seja impossível. Elemento que é da mente, ele emerge sempre e sempre. A memória precisa estar ativa, e como o ego é fruto indireto da memória, sua aparição repetida não deixará de ocorrer. O problema do ego é a vontade que se origina dele, na forma de desejo ou esperança. Anular o ego então seria um trabalho de desprezar sua vontade.
De que forma o ego é anulado? Não podemos anular diretamente o ego, pois ele faz parte do pensamento e o pensamento não pode ser anulado. Temos que compreender melhor o funcionamento da vontade, que é cúmplice e muitas vezes indistinguível do próprio ego. Dessa compreensão pode surgir um abandono da vontade. Não há como empreender esforço nessa tarefa. Todo esforço é fruto da vontade, e portanto apenas reforçaria o ego.
Vontade, em qualquer de suas formas - seja esperança ou desejo - gera ansiedade, expectativa, tensão, etc... O esforço vem na sequência tentando eliminar esta tensão através de ações ou reflexões. Normalmente essa sequência é quase indistinguível e imediata. Só há uma percepção clara desse processo quando já está acumulado e repetitivo. Muitas das vontades são dirimidas rapidamente, outras não. Estas que permanecem por mais tempo causam sofrimento, angústia, depressão. O ego, sendo - de modo simplificado - apenas um conjunto de pensamentos, por não ter existência e identidade própria, precisa estar o tempo todo se auto afirmando. A vontade do ego é o resultado final da vontade do corpo e em última instância a vontade da espécie. Conhecemos por vontade da espécie o conceito de instinto. Toda a vontade do ego é uma derivação da vontade instintiva, de sobrevivência, saciedade, segurança, etc... Os sinais instintivos são normalmente identificados como sendo emoções. É claro que, como tudo o mais, essa referência direta entre instinto e emoção é apenas uma simplificação linguística. A emoção também está relacionada ao raciocínio e à imaginação.
O problema do ego é que na sua insistência em existir materialmente ele acaba colecionando raciocínios erísticos a seu respeito. Como ele não pode provar a outras entidades e nem mesmo a si mesmo que ele existe realmente, então inventa entidades absurdas na intenção de serem críveis através do esforço da repetição, da violência, da crença cega. A vontade natural, instintiva, que é salutar para a espécie, na sua derivação egóica, transforma-se em vontade do ego em existir. Essa vontade do ego em existir, muito clara na concepção de "alma" ou qualquer outro nome, é uma vontade que logicamente nunca será suprimida.
continua...
Comentários
Postar um comentário