Escrever e falar são meios de comunicação completamente diferentes. Um pode ajudar a compreender o outro, mas não são a mesma coisa, são completamente diferentes. Compreender isso é fundamental, e aquele que não consegue compreender isso, necessita de uma condução lógica de alguém que lhe mostre a realidade dessa verdade. Isso é importante porque a confusão que se faz, dando a mesma importância a um meio do que a outro, pode acabar impedindo a compreensão de conceitos logicamente encadeados dessa verdade.
Todos falam, poucos escrevem. Será que isso tem alguma importância? Posso explicar a resposta em outra oportunidade, por enquanto reflita por si mesmo. Essa é fácil.
Escrever logicamente advém de ler. E ler, de falar. Se o sujeito fica a vida toda dando mais importância em falar do que ler, nem digo quando despreza absolutamente a leitura, infelizmente muito comum no Brasil, o hábito do pensar apenas pelo falar, sem ler, leva à ignorância. É como se ter diante seus olhos a oportunidade de ser mais feliz, e a desprezasse por um motivo banal qualquer. E escrever então, leva à um patamar mais elevado ainda de felicidade e inteligência. Isso é tão óbvio que só poderia ser um conceito inicial, de introdução, assim como o é aqui.
As mentalidades inferiores, que são muitas, desprezam tanto a leitura, que se tornam incapazes de escrever perfeitamente, mesmo na sua própria língua. E isso é terrível. Mais terrível ainda é o fato de que a pouca leitura leva o sujeito a permanecer no mundo da ilusão. Não há outra opção. A única forma de desenvolver o intelecto é primeiro pela leitura, depois pela escrita. Não há outra forma. Se o sujeito estanca na leitura, menos mal do que aquele que estaciona na fala. Isto é tão facilmente comprovável empiricamente que não vale a pena entrar em detalhes. Quem não aceita essa verdade indubitável, permanecerá na ignorância, tendo o dinheiro ou a fama que tiver.
Somente compreendendo a verdade acima, é possível chegar numa conclusão lógica irrefutável de que o maior prazer possível numa vida humana, aquilo que é mais santo, é o diálogo frente a frente, racional e baseado numa inteligência que só pode ser treinada lendo e quiçá escrevendo. Todas as outras felicidades do ser humano é menor do que esta.
E para se dialogar é necessário uma forma. Não podemos perder tempo com diálogos fúteis, inúteis, ou não-conceituais. Eu não quero saber de sua vida particular, seja quem for. A conversa não-intelectual é importante, claro, no dia a dia, mas apenas por efeito de praticidade. Não há porquê um ser humano perder tempo com conversa fiada. O que se buscaria, se o sujeito soubesse, pelo adiantamento intelectual, praticado com leitura e escrita, seria sempre o diálogo. E existem regras de educação, puramente formais, para que o diálogo aconteça. Sim, pois o diálogo verdadeiro, frente a frente, que é o de maior importância, ocorre somente com pessoas treinadas. Conversas fúteis devem ser evitadas, simplesmente para não gastar energia com idiotices e se tornar com o tempo um idiota ou um louco.
O caminho do auto-aperfeiçoamento intelectual é longo, se possível deve ser iniciado cedo na vida. Quem não consegue aceitar isso, só o pode estar fazendo por emoções, sem razão nenhuma, a não ser alguma particularidade renitente que o impeça de enxergar o óbvio.
Leia bastante, escreva bastante, tudo de modo sério como se fosse seu maior tesouro nesta vida. Então talvez consiga um dia ter um diálogo de verdade, e aí saberá do que estou falando.
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