As palavras, que se contam em milhares, são poucas pra descrever a realidade. A onda de sensações que um ser humano é capaz de absorver é tão ampla que qualquer tentativa de descrevê-la é patética. Por isso tantos desprezam a filosofia e a literatura. Não descreve. Simplesmente é falso é reducionista. Ame que seja as cultas descrições e declarações da vida, nada é mais perfeito e belo que o simples viver. Que drama fantástico o dos escritores que se almejam capazes de descrever o indescritível. Louvores lhe sejam dados, derrotados eternos de tez altiva. Pois por incrível que pareça, esse doce menos do que nada, que é escrever, ainda faz parte do todo e saúda o impossível de prender o livre solto viver. Doce ilusão. Paixão irrefreável do ser. Nada é mais lindo que a potentade do simples ser. Meus dignos pesares a todos que escrevem, que labutam o impossível na tarde que resplandece a incrível visão do entardecer. O círculo, o mágico ser, meu amor eterno, a vida sem limites da colheita infinita de boaventura. Pasmem, riam, chorem ou louvem, tanto faz, o rio que vai vai.
Quem sente, quem perturba o anoitecer do nada, do nada ver, és iluminado ser. Assim caminha o andar do andarilho, sem preocupação, na liberdade profunda e ampla, na lembrança que é presente, enquanto o presente se faz ausente. Vamos sim, na certeza da dor, que quando é certa deixa de ser sofrimento e passa a ser apenas a realidade. Sempre viva e pronta pra viver.
Foda-se o mar, foda-se o mar. Nada é comparável ao caminhar.
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