É fato que cada um interpreta a realidade de acordo com sua experiência e interesses. Alguém que nunca viu a luz do dia, a não ser numa infância esquecida no tempo, não apostará numa hipotética alvorada. Por outro lado pra quem tomava banho de sol com frequência, a luz está logo ali na esquina, é só atravessar a rua. Obscuro é o parecer da mente errante, que bota sua fé no engodo. Clara é a visão e iluminada a mente daquele que sabe que a caminhada é o ponto de chegada. Ninguém é mais mestre de ti do que suas próprias considerações. A certeza é uma ilusão que só pode ser levada por quem sabe disso, mas sem ela de que adianta caminhar? Ver simplicidade em tudo é um modo correto de ver as coisas, desde que se saiba que o caos é muito maior do que tudo, e pode a tudo engolir de um só golpe. Então a própria realidade tutora, mestra e guia infalível mostra a direção, o sentido e a força. Sim, pois viver é ter força. Forçar não é lícito, mas ter força é indispensável. Estar sempre à disposição de perder tudo, eis a forma de ganhar mais do que perder. As criaturas, desde o inseto ziguezagueante ao ser humano, tem no seu profundo silêncio a plena visão do que realmente está acontecendo. A sobrevivência, pura e simples, da natureza que se multiplicou em representações de si mesmo, povoando o espaço e o tempo, eterna nos seus círculos de vida, onisciente pelos olhos de todos os seres, completa e dividida para tudo sentir, sob todos os ângulos possíveis, e ao mesmo tempo, maravilhosamente, em cada ser particular. A natureza brinca de esconde esconde. A natureza sou eu, sou você, somos cada um e a soma de todos em separado. Se cada um é a própria natureza em pessoa, ludibriada por si mesma a fingir uma individualidade, então não há nada a temer.
O sofrimento interior vem em lufadas intermitentes. Escolho ações para, na sua execução, o sofrimento amenizar sua fúria. Percebo que muitas vezes o sofrimento está ligado ao passado ou ao futuro. O jeito então é me recolher no presente.
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