Depois de um breve interregno aguardando silêncio.
- Senhores e senhoras, digníssimos amigos... tenho-vos urgente notícia a dar! A consciência geral avança acima do esperado. Isso é uma grande surpresa para todos nós. O tempo é chegado. Os eleitos se desfazem de seus grilhões, finalmente. E os perdidos estão se perdendo ainda mais. A separação definitiva aponta no horizonte. Observemos com atenção, os que ficam e os que vão.
O tempo do orador não é medido em segundos, como todos sabemos, e sim por silêncios. Um ruído, um silêncio, outro ruído, mais um silêncio, e assim por diante. Depois de outro ruído, o orador, no silêncio, continuou:
- Vemos a massa disforme das proto-consciências se aviltarem em lufadas baforentas. Um novo tempo desponta. O grande medo ainda não chegou, mas pode ser que chegue logo. Então as proto-consciências serão aprisionadas e seladas em portões de ferro. E as consciências eleitas se expandirão ao infinito.
A senhora na cozinha bate a colher com força na panela. E o estampido reverbera toda a raiva contida no espaço circundante. Um grande ruído.
- Amigos, como de sempre nestas horas de júbilo, a melhor orientação é a serenidade. Enquanto é tempo de escuridão para as consciências disformes, é tempo de luz para os sábios. O cenário castiga o cego, sem luz, vaga levado pelo ódio.
O trabalhador sai de punho cerrado porta afora. Seu foco é indignação, seu peito em brasa procura o culpado pelas contas atrasadas. Bate a porta com força e se dirige pra manifestação. O ruído acorda o bebê de seis meses, a mãe reclama e xinga entre os dentes. A escuridão toma conta num dia ensolarado.
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Se as convoluções da ordem social alimentarem a dicotômica burrice geral, poderá surgir uma grande tentação dos cidadãos de pouca auto-estima, que são maioria, encontrarem na situação revoltosa decorrente, uma esperança de fugir de si mesmos para mergulhar na coletividade madorra. É um perigo real, não obstante alguns guardiães já estarem a postos para frear o impulso da ignorância. O fio da meada, continuando como está, esticado, por muito tempo, pode por outro lado conter a insanidade e dar-lhe um rumo diferente, desde que não arrebente antes da hora.
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A palavra guia, plantada há muitos séculos, invisível mas atuante, será suficiente. A onda não passará do espaço reservado aos seus.
- Senhores e senhoras, digníssimos amigos... tenho-vos urgente notícia a dar! A consciência geral avança acima do esperado. Isso é uma grande surpresa para todos nós. O tempo é chegado. Os eleitos se desfazem de seus grilhões, finalmente. E os perdidos estão se perdendo ainda mais. A separação definitiva aponta no horizonte. Observemos com atenção, os que ficam e os que vão.
O tempo do orador não é medido em segundos, como todos sabemos, e sim por silêncios. Um ruído, um silêncio, outro ruído, mais um silêncio, e assim por diante. Depois de outro ruído, o orador, no silêncio, continuou:
- Vemos a massa disforme das proto-consciências se aviltarem em lufadas baforentas. Um novo tempo desponta. O grande medo ainda não chegou, mas pode ser que chegue logo. Então as proto-consciências serão aprisionadas e seladas em portões de ferro. E as consciências eleitas se expandirão ao infinito.
A senhora na cozinha bate a colher com força na panela. E o estampido reverbera toda a raiva contida no espaço circundante. Um grande ruído.
- Amigos, como de sempre nestas horas de júbilo, a melhor orientação é a serenidade. Enquanto é tempo de escuridão para as consciências disformes, é tempo de luz para os sábios. O cenário castiga o cego, sem luz, vaga levado pelo ódio.
O trabalhador sai de punho cerrado porta afora. Seu foco é indignação, seu peito em brasa procura o culpado pelas contas atrasadas. Bate a porta com força e se dirige pra manifestação. O ruído acorda o bebê de seis meses, a mãe reclama e xinga entre os dentes. A escuridão toma conta num dia ensolarado.
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Se as convoluções da ordem social alimentarem a dicotômica burrice geral, poderá surgir uma grande tentação dos cidadãos de pouca auto-estima, que são maioria, encontrarem na situação revoltosa decorrente, uma esperança de fugir de si mesmos para mergulhar na coletividade madorra. É um perigo real, não obstante alguns guardiães já estarem a postos para frear o impulso da ignorância. O fio da meada, continuando como está, esticado, por muito tempo, pode por outro lado conter a insanidade e dar-lhe um rumo diferente, desde que não arrebente antes da hora.
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A palavra guia, plantada há muitos séculos, invisível mas atuante, será suficiente. A onda não passará do espaço reservado aos seus.
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