A mente apreende a realidade através dos sentidos e representa-a em conceitos. Estes, por sua vez, combinam-se formando uma compreensão. Nem os conceitos são exatos, muito menos a compreensão. E quanto mais os conceitos exigem elaboração intelectual, e quanto maior o número de conceitos, mais complicado é alcançar um consenso entre eles, que chamamos de compreensão. Por isso a mania reducionista apresenta-se como regra geral do pensamento vulgar.
É necessário voltarmos ao dicionário, quantas vezes for necessário. É uma característica patente do niilismo, destruir o significado das palavras. Rebaixá-las. Misturar seus sentidos. Relativizar definições. Temos a obrigação moral com nossos filhos em resgatar o significado original das palavras. Restituí-las à sua ordem normal.
Sem uma boa definição dos termos sobrevêm a confusão, primeiro no campo individual, depois no social. Os mais estultos ganham com a bagunça, mas o que ganhamos nós?
Confusão gera confusão, até que todos se tornem estúpidos. A comunicação fica impossível. O marasmo e a futilidade ganham espaço, e as mentes mergulham numa apatia crescente, dentro deste redemoinho de vento.
Quando a inteligência faz a malas e parte, subimos novamente no do topo das árvores e grunhimos.
E que grunhido tão uniforme e avassalador, parece ser um costume não saber ouvir ou fingir-se de surdo. Penso que até as cigarras se sentem abismadas com tal ruído, esse barulho cotidiano que poucos apreciam ou percebem por o terem como normal, quem sabe, até mesmo natural.
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