Meus filhos dormem, nessa manhã fria, enquanto procuro rastros de esperanças. Acordo religiosamente, todo santo dia, nessa minha sina, às 04:30 da matina. Existe um buraco negro no meu peito. Quando desperto, nessa hora fatídica, ele suga meu alento e declara: a vida é seu pesadelo. Nesses momentos cruéis, onde lembranças são trazidas aos montes, de tudo que machuca por dentro, a vida reclama seu direito a carrasca. Se ao menos uma esperança não fosse engolida por tanta desgraça. Mas não, tenho que saltar da cama atrás de alguma mentirosa esperança. Inventar se for preciso, alguma, mesmo boba, pra esquecer o que a vida, ao me acordar, revela de improviso.
O sofrimento interior vem em lufadas intermitentes. Escolho ações para, na sua execução, o sofrimento amenizar sua fúria. Percebo que muitas vezes o sofrimento está ligado ao passado ou ao futuro. O jeito então é me recolher no presente.
Tão forte, que bonito.
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